Em agosto de 2026, a proporção de professores temporários em sala de aula atingiu 58,2% do total de docentes na rede pública estadual de ensino de São Paulo, representando uma inversão histórica no perfil do funcionalismo. De acordo com registros oficiais da Seduc-SP obtidos via Lei de Acesso à Informação pelo Centro do Professorado Paulista, o número de educadores sem vínculo efetivo mais que triplicou em oito anos, saltando de 28.288 profissionais em 2018 para 94.109 em 2026.
Esse crescimento expressivo alterou a estrutura da educação no estado em um contexto de encolhimento do quadro geral de docentes, cujo total recuou de 171,1 mil em 2025 para 161,7 mil em 2026. O Estado acumulou 169.495 desligamentos de professores entre janeiro de 2018 e agosto de 2026, fazendo com que o modelo de contratação temporária — inicialmente criado para cobrir licenças médicas e afastamentos pontuais — se tornasse a principal engrenagem do governo estadual.
A expansão dos contratos emergenciais ocorreu após a homologação do concurso público, em 2023. Embora a gestão estadual tenha nomeado 10.254 professores efetivos em 2025 e outros 3.167 até agosto de 2026, a entrada dos aprovados não conteve o avanço provisório, já que apenas nos primeiros oito meses de 2026 o Estado formalizou mais de 36 mil novos contratos temporários.
Para o presidente do CPP, o pedagogo e advogado Alessandro Soares, essa volatilidade contratual fragiliza as escolas públicas e prejudica a aprendizagem dos estudantes ao romper o elo de confiança entre professor, aluno e comunidade escolar. Segundo ele, a troca frequente de docentes impede a consolidação de projetos pedagógicos de médio e longo prazo.



