A VLI, empresa brasileira de transporte multimodal, aponta a segregação de cargas como o principal desafio da logística ferroviária para o escoamento da produção do agronegócio. Em entrevista ao CNN Agro News, a diretora executiva comercial Carolina Hernandez Táscon explicou que, apesar dos avanços em investimentos em infraestrutura portuária, ferrovias e hidrovias, a estrutura de transporte exige que cargas com diferentes especificações nunca se misturem ao longo da cadeia movimentada pelos trilhos.
Segundo Carolina, os sistemas atuais estão formatados para operar em pool com um ou dois produtos ao mesmo tempo, e movimentar mais itens simultaneamente reduz a capacidade operacional. A empresa prevê movimentar mais de 800 mil toneladas de sorgo este ano, com rotas de exportação pelos portos de Santos, Vitória e São Luís. O grão é apontado como uma grande novidade na pauta brasileira, sendo esta a primeira vez que o país exporta sorgo para mercados como China e Norte da África.
A produção nacional de sorgo saltou de 2,5 milhões de toneladas há cinco anos para cerca de 9 milhões neste ano, com previsão de exportar entre 2,5 milhões e 3 milhões do grão. A VLI é a primeira ferrovia a transportar o produto, aproveitando que 55% do plantio está convergente à malha FCA (Ferrovia Centro-Atlântica) e 20% à malha FNS (Ferrovia Norte-Sul), ou corredor norte. Além do sorgo, derivados do esmagamento de soja e milho, como farelo de soja e DDG, devem ganhar espaço nas exportações impulsionados pela indústria de biocombustíveis.



