Em um ato de campanha realizado em Copacabana, no Rio de Janeiro, em 7 de setembro, o candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) dirigiu-se a uma multidão de aproximadamente 1.400 pessoas a bordo de um trio elétrico, onde concedeu um gesto simbólico ao ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), ao mesmo tempo em que defendeu a necessidade de investigações na Corte, reiterando sua visão de que o Judiciário deve operar com plena independência para apurar atos de corrupção.
Contexto Institucional e Estratégico da Campanha
O evento, organizado pela federação partidária Avante e avaliado por institutos de pesquisa Cebrap e More in Common, reuniu entre 1.300 e 1.600 participantes, com pico de 1.400 pessoas, em clara demonstração de mobilização eleitoral no contexto polarizado da corrida presidencial. A presença do ministro do STF André Mendonça no local gerou expectativa midiática, dada a tensão institucional entre o Judiciário e o Executivo, especialmente no âmbito das operações Compliance Zero e Sem Desconto, que tramitam perante o Tribunal sob investigação rigorosa.
A estratégia de Cury ao destacar Mendonça — em meio à crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça — sinaliza uma tentativa de alinhamento com setores do STF favoráveis à independência judicial, ao mesmo tempo em que critica publicamente o governo Lula, antecipando sua visão para o segundo turno como sendo 'um pesadelo' para o presidente em exercício.
Cury afirmou que pretende aposentá-lo [Lula] no segundo turno e disse que será 'pesadelo' para o presidente em exercício.
Repercussão Política e Desafios Institucionais
A declaração de Cury repercutiu imediatamente nas esferas jurídica e política, com o governo Lula reconhecendo a possibilidade de diálogo futuro com o candidato do Avante, embora sem confirmar aliança formal, enquanto setores da magistratura e da sociedade civil manifestaram preocupação com a instrumentalização do Judiciário em campanhas eleitorais.
Apesar da defesa da transparência e da independência do STF por parte do psiquiatra-candidato, a polarização política permanece intensa, com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) monitorando eventuais violações à Lei das Eleições por parte dos envolvidos nos atos.



