O Ministério das Relações Exteriores está acompanhando de perto os desdobramentos da crise política no Paraguai, mas trata o episódio como um assunto interno do país vizinho. A posição foi apurada pela analista de Política Isabel Mega, no CNN 360°, junto a fontes do corpo diplomático do Itamaraty e reflete a tradicional cautela brasileira ao se pronunciar sobre a situação de outros países.
Nesta quinta-feira (5), Santiago Peña renunciou ao cargo após polêmica envolvendo o colapso de um banco digital, ao mesmo tempo em que um processo de impeachment foi aberto contra ele no Paraguai. O Itamaraty optou por não emitir nenhuma manifestação oficial até o momento.
Segundo Isabel Mega, "o que o Itamaraty está fazendo é o que sempre faz em casos do tipo: vai acompanhando os desdobramentos, fazendo monitoramento de perto, porque tem o entendimento de que o que está acontecendo neste momento no Paraguai é assunto dos paraguaios, é assunto interno". Cabe ao Brasil permanecer em um posto de observação sobre eventuais desdobramentos futuros.
A avaliação das fontes consultadas é de que ainda é "muito precoce" para tecer comentários sobre possíveis impactos para o Brasil diante da crise política vivida pelos vizinhos paraguaios. A relação entre os dois países é historicamente próxima, com trocas comerciais significativas e participação conjunta no Mercosul.
Apesar de diferenças ideológicas entre Santiago Peña e Lula (PT), a relação bilateral tem sido preservada. Peña foi um dos primeiros líderes vizinhos a parabenizar Lula por sua reeleição.
Além das questões econômicas e comerciais, há cerca de 270 mil brasileiros vivendo no Paraguai, segundo dados do próprio Itamaraty, o que representa um fator adicional de atenção por parte do governo brasileiro.



