O reitor do Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, padre Francisco Chagas Santos da Silva, denunciou publicamente que as homenagens institucionais e familiares praticadas durante a Trasladação e o Círio de Nazaré têm causado poluição sonora, desorientação dos romeiros e comprometido a dimensão religiosa das procissões, exigindo providências urgentes dos órgãos públicos para preservar a integridade do evento reconhecido como patrimônio imaterial pelo Iphan e pela Unesco.
Contexto Histórico, Institucional e Apuração das Denúncias
O padre Francisco Chagas Santos da Silva formalizou sua crítica em comunicado dirigido aos devotos, destacando que as manifestações de homenagem, que iniciaram de forma discreta no início dos anos 2000, evoluíram para interromper sistemas de sonorização utilizados nas procissões, com registros documentados de corte de cabeamento e furto de caixas de som que comprometeram a estrutura logística da Trasladação entre o Santuário e a Catedral Metropolitana de Belém.
Conforme evidenciado pela assessoria do Santuário, os episódios de vandalismo e invasão das áreas de som ocorrem em um contexto de crescente comercialização das celebrações, onde empresas e instituições públicas assumem espaços para exibir identidade institucional sem coordenenação com a organização religiosa, gerando conflitos entre interesses seculares e espirituais em um evento com mais de dois séculos de tradição.
As manifestações iniciaram no início dos anos 2000 e atualmente comprometem sistemas de som essenciais para a organização das procissões religiosas
Repercussão Jurídica, Institucional e Desafios para a Preservação do Patrimônio Religioso
O reitor enfatizou que a responsabilidade pelo controle das homenagens não é exclusividade do Santuário ou dos padres Barnabitas, mas depende da atuação coordenada dos órgãos públicos estaduais e federais, que vêm sendo acionados por representantes da comunidade religiosa para estabelecer normas claras e coibir abusos que ameaçam a integridade do Círio reconhecido como Patrimônio Imaterial Cultural pela Unesco.
Francisco Chagas ressaltou que, sem intervenção regulatória imediata, os impactos irreversíveis sobre a tradição poderão comprometer o reconhecimento internacional do Círio como manifestação cultural viva, exigindo que as autoridades competentes assumam o papel de fiscalização efetiva para garantir o respeito ao caráter religioso da celebração.



