São Paulo — A ex-namorada de Fernando Sastre, motorista da Porsche envolvido em acidente que matou um motorista de aplicativo na Avenida Salim Farah Maluf, em São Paulo, em 2024, precisou ser retirada do júri do empresário durante o depoimento de uma das testemunhas da acusação. Giovanna Pinheiro Silva fez um sinal de desaprovação com a cabeça, enquanto a testemunha ocular Nathalia Santanna Viana Lima falava perante aos jurados.
Nathalia estava em um carro com a irmã e um amigo, quando testemunhou a batida que matou o motorista Ornaldo Silva Viana, de 52 anos, em 31 de março daquele ano. Ela foi uma das primeiras pessoas a prestar socorro aos envolvidos.
Em depoimento, a testemunha afirmou que tentou socorrer Ornaldo, mas não conseguiu abrir a porta do carro do motorista de aplicativo, um Renault Sandero branco. Por isso, foi verificar se o condutor e o passageiro da Porsche, Fernando e o amigo Marcus Vinicius Machado Rocha, estavam bem.
Pouco tempo depois, segundo Nathalia, chegaram ao local do acidente Giovanna Pinheiro Silva e Juliana de Toledo Simões, à época, namoradas de Sastre e Rocha, respectivamente.
“Quando as meninas chegam, a preocupação delas era sair com eles do acidente”, disse a testemunha ocular. Nesse momento, Giovanna faz um sinal de negativo com a cabeça.
A acusação, então, pede à juíza para que a ex-namorada de Sastre seja retirada do plenário. A Promotoria diz que, além de Giovanna não ter comparecido para prestar depoimento, ainda estaria se manifestando quando outras testemunhas eram ouvidas. Por isso, pediu que ela fosse penalizada com uma multa de 15 salários mínimos.
A defesa do réu se manifesta e diz que já havia avisado a magistrada da desistência de Giovanna. A jovem constava no rol de testemunhas da defesa, mas por um erro do Judiciário, apareceu na pauta do julgamento como testemunha da acusação. Pediu ainda que a multa a Giovanna Pinheiro Silva não fosse aplicada.
Ao analisar os pedidos, a juíza de direito Melanie Liesenberg decidiu pela retirada de Giovanna do plenário. Já quanto à multa, disse que só decidia sobre a aplicação ou não ao fim do julgamento.
O tio de Fernando Sastre, Marcelo Sastre Andrade, desistiu de prestar depoimento. O júri voltará a ser realizado nesta quinta-feira (29/10).
Fernando Sastre Filho é réu por homicídio qualificado e lesão corporal gravíssima. Além da morte de Ornaldo, outra vítima do acidente foi o estudante Marcus Vinicius Machado Rocha, que estava de carona no Porsche. Marcus fraturou quatro costelas, precisou ser hospitalizado e perdeu o baço. Ele foi internado, em decorrência do acidente, duas vezes.
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Mesmo com sinais de embriaguez, Fernando Sastre Filho recebeu permissão dos PMs que atenderam à ocorrência para ir embora, sem fazer o teste do bafômetro. Os agentes responsáveis pela liberação indevida também foram alvo de investigação.
Como publicado pelo Metrópoles, a câmera corporal da PM Dayse Aparecida Cardoso Romão mostra que ela explica, ao telefone, os motivos para liberar, sem escolta, o empresário, logo após ele provocar o acidente fatal (assista abaixo).
As imagens das câmeras corporais dos PMs que atenderam à ocorrência mostram o momento em que Fernando Sastre é liberado do local do acidente, junto da mãe, sob a justificativa de que iria procurar atendimento médico, o que não aconteceu.
Laudo do Instituto de Criminalística apontou que a velocidade média do Porsche era de 156 km/h. Quando se apresentou à polícia, contudo, mais de 36 horas após o acidente, o empresário disse que estava “um pouco acima da velocidade máxima permitida”, que é de 50 km/h.
À polícia, o amigo que estava no Porsche disse que Fernando Filho havia ingerido bebida alcoólica antes, contrariando o depoimento do empresário.
Antes do acidente, os amigos e suas respectivas namoradas foram a um restaurante, onde o grupo consumiu nove drinques, e depois a uma casa de pôquer, que funciona no sistema open bar.
A defesa de Fernando Sastre não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestações.



