No contexto de profunda crise de dívida doméstica no Brasil, onde a inadimplência familiar atingiu 50%, um salto de 20 pontos percentuais desde 2015 impulsionado por crises econômicas e expansão desenfreada do crédito, o economista da FGV Ricardo Meirelles de Faria alerta para a convergência de fatores estruturais – desde o aumento da taxa Selic, agora em 14% ao ano, até o crescimento alarmante das apostas, que absorveu R$ 62,5 bilhões em 2025, segundo o Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros do Comsefaz.
Diagnóstico da Crise de Endividamento Familiar e Expansão do Crédito
A análise do economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Meirelles de Faria, revela que a inadimplência familiar registra 50%, um aumento crítico de 20 pontos percentuais desde 2015, com aceleração observada após a crise de 2015-2016 e durante a pandemia, quando saltou de 30% para 40% e finalmente para o patamar recorde atual. Segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio), 81,6% das famílias brasileiras carregam dívida, sendo as principais fontes as faturas de cartão de crédito, cheque especial e carnês de lojas, enquanto o peso crescente das apostas – que somaram R$ 62,5 bilhões em gastos no ano corrente – evidencia uma nova vulnerabilidade financeira para os lares.
O professor da FGV explica que a expansão do crédito começou com o Plano Real, quando a inflação cedeu e os juros iniciais eram mais baixos; entretanto, com o agravamento das condições econômicas e o aumento da taxa Selic para 14% ao ano – segundo maior juro real do mundo, atrás apenas da Rússia – as famílias enfrentam o desafio duplo de servir dívidas contraídas em épocas mais favoráveis e lidar com o encarecimento do crédito em um cenário de alta inflação e instabilidade geopolítica que impede cortes na taxa básica.



