A safra de trigo do Rio Grande do Sul, principal produtor nacional, mantém a estimativa oficial de 2,2 milhões de toneladas, apesar das condições climáticas adversas que comprometeram o desenvolvimento das lavouras, com a produção registrando queda de 36,4% em relação à temporada anterior e impulsionando as importações brasileiras a atingirem níveis recordes de mais de 7 milhões de toneladas em 2026/27, conforme divulgado pela Emater e a Conab.
Contexto Climático e Impacto na Produção
A Emater informou que a estimativa oficial da safra gaúcha permanece inalterada em 2,2 milhões de toneladas, número que reflete uma redução de 36,4% em relação à produção da safra anterior, decorrente da redução da área plantada e dos prejuízos causados pelas chuvas excessivas e pelo fenômeno El Niño, que intensificaram a umidade do solo e dificultaram o trânsito de máquinas durante a floração, restringindo a aplicação de fungicidas e favorecendo o desenvolvimento de doenças fúngicas como oídio, manchas foliares e ferrugens.
O boletim semanal do órgão de assistência técnica vinculado ao governo gaúcho ressalta que, embora o potencial produtivo permaneça satisfatório em termos gerais, as condições meteorológicas atuais – marcada por persistente nebulosidade e baixa radiação solar – têm retardado o crescimento vegetativo e comprometido a qualidade da colheita, com 82% das lavouras ainda em fase vegetativa, 14% em floração e 4% no estágio de enchimento de grãos.
A safra gaúcha de trigo está estimada em 2,2 milhões de toneladas, representando queda de 36,4% frente à temporada anterior.
Repercussões Econômicas e Desafios na Cadeia produtiva
As projeções da Conab indicam que as importações brasileiras de trigo devem alcançar mais de 7 milhões de toneladas no ciclo agrícola 2026/27, reflexo direto da combinação entre a expressiva redução na produção gaúcha e paranaense e a crescente demanda doméstica, o que coloca em evidência o risco de repasse desses custos ao consumidor final diante da elevada pressão nos preços internacionais.
Especialistas apontam que a manutenção da estimativa oficial pela Emater sinaliza cautela institucional para evitar pânico no mercado interno, enquanto a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas se torna imprescindível para garantir a continuidade da segurança alimentar e a estabilidade dos preços no setor agrícola.



