Investidores brasileiros de grande patrimônio têm buscado alternativas de alocação de capital fora do Brasil e, em alguns casos, a mudança de domicílio fiscal para outros países, diante de um cenário de alta volatilidade nos mercados financeiros e crescente incerteza política e econômica. A análise é de Wilson Barcellos, CEO da Azimut Brasil, gestora que atua com grandes fortunas e administra globalmente cerca de um trilhão em ativos sob gestão.
Barcellos avalia que a reação dos clientes diante da turbulência atual é esperada e natural, destacando que momentos de grande volatilidade provocam alterações drásticas nos preços dos ativos. Ele alerta que não se deve tomar decisões de investimento simplesmente porque determinados ativos parecem mais baratos, mas sim compreender quais mudanças estruturais estão de fato ocorrendo.
O executivo chama atenção para a concentração excessiva em renda fixa no mercado brasileiro, impulsionada pelas elevadas taxas de juros. Segundo ele, entre 98% e 99% dos investimentos realizados no país são direcionados à renda fixa, mesmo o Brasil representando apenas 2% do PIB mundial e sua bolsa correspondendo a menos de 1% do mercado acionário global.
Entre os clientes da gestora, cujo patrimônio mínimo gira em torno de R$ 20 milhões, a busca por diversificação internacional e por mudança de domicílio fiscal tem crescido. Barcellos menciona cinco regiões que têm absorvido esse movimento: Oriente Médio, Suíça, Mônaco, Luxemburgo e Itália na Europa; Estados Unidos com recursos lastreados em dólar; Uruguai na América do Sul; e Paraguai, que tem se destacado com benefícios fiscais para pessoas físicas e empresas.



