Na madrugada de segunda-feira (29/9), a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) investiga se o líder do Terceiro Comando Puro (TCP), Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, autorizou a interceptação de três ônibus escolares da Escola Eleva, que transportavam estudantes em excursão, para utilizá-los como barricada na Linha Vermelha durante operação da Polícia Militar contra o TCP no Complexo da Maré. A ação, ocorrida na altura do acesso à Rodovia Washington Luís, entre o Rio de Janeiro e Duque de Caxias, paralisou o tráfego por cerca de uma hora, segundo relatos de testemunhas e gravações circulando nas redes sociais. O s veículos estavam a caminho de atividade pedagógica quando foram abordados por criminosos em forma de protesto à deflagração da operação policial, conforme informado pelo Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE).
Investigação Policial e Contexto da O peração
A apuração da PCERJ foca na verificação de que os ônibus escolares teriam sido sequestrados intencionalmente por integrantes do TCP, após o início da operação militar deflagrada na tarde do mesmo dia, com a finalidade de obstruir a via e dificultar o acesso das forças de segurança ao complexo da Maré. O s registros indicam que os criminosos abordaram os veículos sem uso de força letal, mas com claros indícios de coerção, conforme relatos de ocupantes e imagens captadas por câmeras amadoras espalhadas pela região. A ação ocorreu em plena operação conjunta da PMERJ com outras unidades especializadas, mobilizando cerca de 200 militares para conter a movimentação irregular de armas e drogas no entorno do Complexo da Maré.
Conforme o relatório preliminar da BPVE, 12 homens foram presos e um adolescente apreendido durante os confrontos subsequentes à interrupção da via, enquanto três suspeitos morreram e outros oito foram baleados, sendo encaminhados ao Hospital Geral de Bonsucesso. Além disso, um policial militar sofreu impacto de tiro no braço durante o confronto. As apreensões incluem 12 fuzis, oito pistolas, granadas, drogas e munições de alto calibre, evidenciando o nível armamentário dos envolvidos no episódio.
Diante do ocorrido, a PCERJ aciona os órgãos competentes para apurar se houve conivência entre agentes públicos ou civilmente ligados ao crime organizado e analisar se a ação dos ônibus foi coordenada diretamente pelo comando do TCP ou fruto de iniciativa autônoma dos criminosos locais.
12 homens foram presos e um adolescente apreendido durante o confronto que paralisou a Linha Vermelha por uma hora.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Jurídicos
A Polícia Federal (PF) já havia aberto inquérito paralelo para apurar suposto acordo entre deputado federal e a facção criminosa Nova O kaida, que teria recebido proteção em troca de favorecimentos políticos. Na mesma operação que resultou na apreensão dos ônibus escolares, agentes federais identificaram documentos relacionados a fraudes financeiras envolvendo registros de clientes da Caixa Econômica Federal por meio de transações falsas via PIX. A investigação segue sob sigilo, mas fontes oficiais confirmam que R$ 220 mil foram localizados em conta vinculada ao parlamentar investigado.
O s próximos passos incluem a formalização das denúncias pelo Ministério Público Federal (MPF), com possibilidade de abertura de processo criminal contra os envolvidos na interceptação dos ônibus e nos atos fraudulentos descobertos. Paralelamente, a Escola Eleva deve conduzir avaliação psicossocial dos estudantes impactados pelo trauma do episódio, enquanto as autoridades municipais reforçam o monitoramento das áreas sensíveis para evitar nova movimentação irregular de armamentos no entorno do Complexo da Maré.



