Conversas gravadas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revelam que ele pressionou o cunhado Fabiano Zettel para concluir o aporte de R$ 15 milhões ao Fundo de Investimento em Participações vinculado ao projeto do Tayayá Resort em Ribeirão Claro (PR), após a tentativa de transferência já ter sido registrada em valores superiores, totalizando R$ 35 milhões em aportes anteriores.
Contextos Institucionais e Evidências Documentais da Apuração
A Polícia Federal (PF) incluiu nos autos da O peração Cúmplice, coordenada pelo Ministério Público Federal no Paraná, cópias integras das mensagens trocadas entre Vorcaro e Zettel entre 12 de março e 14 de agosto, período em que os diálogos evidenciam cobranças diretas sobre a regularização do repasse financeiro no fundo destinado ao empreendimento hoteleiro. As conversas, analisadas por peritos da PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), indicam que o banqueiro já havia solicitado recursos ao Fundo de Investimento em Participações antes de exigir a complementação do aporte de R$ 15 milhões, apesar de a soma total dos aportes anteriores — R$ 20 milhões e R$ 15 milhões — já ter sido depositada no mesmo veículo financeiro.
Antecedentes sobre o envolvimento de Vorcaro com o Caso Master, incluindo sua associação ao Banco Master e a relação com o ministro Dias Toffoli, foram reforçadas pelas comunicações diretas com o advogado Guilherme Lippi, sócio minoritário do Tayayá Resort, conforme comprovado por interceptações telefônicas e laudos periciais apresentados ao STF em processo sigiloso.
Mais de R$ 35 milhões em aportes já realizados estavam vinculados ao projeto do Tayayá Resort quando o banqueiro cobrou a finalização do repasse pendente.
Repercussões Jurídicas e Estratégias de Defesa no Âmbito Nacional
A entrega dos dados do celular de Vorcaro às ministros Gilmar Mendes e Alexandre Zanin pelo ministro Alexandre de Moraes, presidente do STF, acendeu novas tensões no Judiciário após a revelação de que o banqueiro negociava diretamente com procuradores sobre o negócio do resort, fato que já havia gerado suspeita de interferência nas investigações policiais.
Especialistas em direito administrativo apontam que o descumprimento do compromisso de aporte pode ensejar sanções administrativas ao Banco Master, incluindo a suspensão temporária da autorização para captação de recursos junto ao Fundo de Investimento em Participações, além de eventual responsabilização criminal por crime contra a ordem econômica prevista no Código Penal.



