O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, denunciou na madrugada deste sábado (31) uma violação da ordem constitucional do país após uma ação do governo no Tribunal Constitucional. Em comunicado, ele afirmou que houve uma tomada à força de um órgão do Estado e convocou uma reunião de emergência com representantes das forças parlamentares para discutir a crise e buscar o restabelecimento da ordem constitucional.
Nawrocki declarou que realizou consultas com o primeiro presidente do Supremo Tribunal, Zbigniew Kapiński, que também não reconhece como legais as ações de pessoas que usurpam o poder no tribunal. O presidente pediu que a ordem jurídica seja restabelecida e que as forças de segurança enviadas ao local pelo governo deixem as dependências do Tribunal Constitucional.
A crise se intensificou na sexta-feira (30), quando Nawrocki interrompeu uma viagem ao Senegal e retornou ao país após um aliado da extrema direita ser afastado da presidência da principal corte polonesa. Mais cedo naquele dia, o Tribunal Constitucional informou que sua juíza mais antiga, Anna Korwin-Piotrowska, havia suspendido Bogdan Swieczkowski, presidente da corte indicado pelo antecessor do primeiro-ministro Donald Tusk, assumindo o comando do tribunal.
Centenas de manifestantes se reuniram em frente à corte no fim da sexta-feira sob forte presença policial. Políticos de direita discursaram para a multidão e acusaram o governo Tusk de promover um golpe contra o tribunal. Nawrocki e Tusk são adversários políticos diretos; Tusk lidera uma coalizão governista de centro-direita e pró-União Europeia, enquanto Nawrocki, historiador nacionalista e conservador, assumiu o cargo em agosto de 2025 com apoio do partido Lei e Justiça (PiS).
Em publicação no X, Tusk afirmou que seu governo busca restabelecer o Estado de Direito, enfraquecido segundo acusações da União Europeia por seus antecessores do partido Lei e Justiça. Ele declarou que esse processo é difícil, às vezes doloroso, e exige medidas decisivas, sem outro caminho.



