O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, exibirá na noite de 7 de setembro uma propaganda eleitoral na televisão que utiliza o Dia da Independência como pano de fundo para criticar o aumento das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos e relembrar o apoio de lideranças bolsonaristas ao chamado "tarifaço" durante o governo Jair Bolsonaro.
Contexto Histórico e Estratégico da Propaganda Eleitoral
A propaganda, programada para ir ao ar na segunda-feira (7/9), parte da premissa de que o tarifaço anunciado por Donald Trump afeta especialmente São Paulo, sendo Piracicaba, cidade do interior paulista, o município mais vulnerável ao aumento das importações americanas. A escolha da data não é casual: ao alinhar a mensagem ao 7 de Setembro, Haddad busca reforçar a narrativa de soberania nacional, ao mesmo tempo em que associa visualmente o discurso bolsonarista ao tema econômico central da campanha.
Nos bastidores da produção, fontes do comando de campanha confirmam que trechos de declarações do senador Flávio Bolsonaro — que afirmou que "a tarifa vai chegar ao Brasil" — e do governador Tarcísio de Freitas — que sugeriu que o Brasil deveria "entregar algumas vitórias" a Trump para negociar o aumento das tarifas — foram selecionados estrategicamente para evidenciar a continuidade do apoio bolsonarista ao protecionismo estadunidense, mesmo diante das críticas do PT à política comercial dos EUA.
Piracicaba, cidade paulista mais afetada pelo aumento das tarifas americanas, segundo dados da Secretaria da Fazenda.
Repercussão Política e Desdobramentos Futuro
O programa eleitoral conta com o aval técnico da equipe econômica de Lula, que tem reforçado o uso da soberania como tema central em seu discurso desde o início da crise comercial com os EUA. Autoridades do PT destacam que a propaganda visa reforçar a base eleitoral tradicional do partido ao apresentar o tarifaço como consequência direta das alianças políticas internas que sustentaram a gestão Bolsonaro.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a veiculação da propaganda no horário nobre da TV pode ampliar a visibilidade de Haddad nas últimas semanas antes do primeiro turno, enquanto opositores já anunciam que usarão o conteúdo em contra-ataques jurídicos e midiáticos, sinalizando um intensificação da guerra de narrativas nos próximos dias.



