Na conversa ocorrida no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff reconheceu que a ausência de tolerância no trato da política configurou-se como um problema estrutural, destacando que a temperança — conceito com raízes teológico-filosóficas que atravessa a tradição desde Aristóteles até a retórica cristã — é atualmente escassa nas relações institucionais, em contraste com o aumento observado da polarização e da irritação social nos últimos anos, especialmente no contexto dos 40 anos da Transição Democrática que serão comemorados em 2025.
Temperança, Virtude Eclesiástica e Desafios da Democracia Contemporânea
A análise foi realizada em ambiente reservado durante longas divagações presidenciais, nas quais o autor questionou a escassez de temperança entre os agentes políticos, fato corroborado pela presidenta que, ao reconhecer a conotação religiosa da virtude, vinculou-a à tradição canônica que a considera sinônimo de equilíbrio moral e moderação na convivência humana, afastando-a do uso meramente retórico nos discursos públicos.
O contexto dos 40 anos da democracia formal — marco que será celebrado em 2025 — evidencia uma tensão entre a consolidação institucional democrática e o desgaste ético observado no discurso político, onde a ausência de temperança tem se traduzido em escaladas de intimidação, ataques pessoais e justificativas ideológicas para a radicalização, conforme registrado em discursos recentes que condenam 'os fariseus' por 'roubo' e 'intemperança', evocando metáforas bíblicas para descrever adversários políticos.
A ausência de temperança entre os homens públicos do Brasil contrasta com o ideal de equilíbrio ético que funda as bases da democracia consolidada há quatro décadas.
Repercussões Institucionais e Caminhos para o Equilíbrio Político
A presidenta Dilma Rousseff destacou que a temperança, embora considerada uma virtude nas tradições religiosa e filosófica, não se reflete nas práticas cotidianas da política nacional, onde o uso de linguagem agressiva e a intolerância têm se tornado instrumentos estratégicos para mobilização eleitoral e consolidação de bases partidárias, configurando um risco para a governabilidade democrática em um ano eletoral decisivo.
Diante do cenário, especialistas apontam que o fortalecimento da resiliência institucional — entendida como capacidade de retorno ao equilíbrio após crises — exige a retomada do diálogo respeitoso e o cumprimento do lema 'o preço da liberdade é a eternavigilância', conforme proposto por Afonso Arinos e inspirado em Thomas Jefferson, para garantir que os 40 anos da democracia sejam marcados pela maturidade cívica e não pela erosão das normas republicanas.



