O Copom se reúne nesta quarta-feira com a expectativa predominante de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, revertendo apostas anteriores de novos cortes. Essa mudança ocorre após o segundo turno das eleições e diante de um cenário menos favorável à redução dos juros.
Antes do pleito, o Boletim Focus ainda indicava a possibilidade de dois cortes de 0,25 ponto percentual em novembro e dezembro, visando a Selic em 13,25% ao final de 2026. Após a votação, no entanto, as projeções foram revisadas para a manutenção da taxa.
Relatórios do Itaú e do Goldman Sachs apontam para um ambiente internacional mais difícil, com pressões do petróleo e condições financeiras restritivas. O Goldman Sachs também cita os compromissos fiscais assumidos durante a campanha como fatores que pioram as perspectivas para as contas públicas.
A economista Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos, afirma que a formação da equipe econômica e as sinalizações sobre as contas públicas são pontos cruciais para os investidores. Já Camilo Cavalcanti, gestor da Oby Capital, espera a manutenção para que o Copom possa observar novas informações.
Embora a economia apresente desaceleração, o mercado de trabalho resistente e a inflação de serviços pressionada impedem uma redução imediata dos juros. O Itaú destaca que a melhora do IPCA-15 se concentrou em alimentação e passagens aéreas, enquanto os serviços seguem pressionados.
O Itaú trabalha com o fim do ciclo de cortes, enquanto o Goldman Sachs prevê uma pausa e atribui 30% de probabilidade a um corte nesta reunião. Para Evandro Xavier, da be.smart, a retomada dos cortes só deve ocorrer entre o segundo e o terceiro trimestre do próximo ano.



