O Instituto Médico Legal do Distrito Federal identificou fraturas em várias costelas da bebê Alice Fraga Delgado de Oliveira, de 1 ano e 3 meses, com sinais de calcificação que indicam que os ossos foram quebrados repetidas vezes ao longo da vida da criança. O laudo cadavérico aponta que, em 25 de outubro, a intensidade das agressões provocou hemopneumotórax severo e ruptura total do tecido cardíaco, resultando em hemorragia aguda, politraumatismo e ação contundente como causas da morte.
A Polícia Civil do Distrito Federal apurou que a menina deu entrada três vezes em unidades hospitalares durante seus 15 meses de vida, incluindo um diagnóstico anterior de traumatismo crânio-encefálico causado por agressões físicas. Três dias antes do homicídio, a Justiça do Distrito Federal negou pedido de urgência do Conselho Tutelar de Samambaia para afastar a criança do convívio da mãe, do padrasto e da babá, mesmo após lesões graves serem identificadas por equipes médicas em atendimento realizado em 13 de outubro.
Alice foi levada desacordada à Unidade de Pronto Atendimento de Samambaia no domingo, 25 de outubro, menos de 24 horas após a mãe buscá-la no sábado. Os profissionais de saúde constataram parada cardiorrespiratória e hematomas em diferentes estágios de evolução e cicatrização, mas as tentativas de reanimação não tiveram sucesso. Familiares, amigos e voluntários se mobilizaram para arcar com os custos do sepultamento diante da comoção gerada pelo caso.
Agentes da 32ª Delegacia de Polícia prenderam nesta sexta-feira, 6 de novembro, João Carlos Pereira da Costa, de 23 anos, padrasto da criança e principal suspeito de provocar as lesões corporais que levaram à morte. A PCDF trabalha no cruzamento dos depoimentos com os achados periciais do IML para consubstanciar o inquérito policial e responsabilizar formalmente o suspeito pelos crimes cometidos contra a criança.
