Na madrugada de 30 de agosto, por volta das 20h45, o tenente Luís Henrique de Vito Rosa, lotado no 35º Batalhão da Polícia Militar do interior paulista, foi formalmente preso por abandono de posto, descumprimento de missão e falsidade ideológica após ser flagrado em um ônibus intermunicipal com destino ao interior do estado, enquanto cumpria escala horária para exercício da Atividade Delegada.
Aperto O peracional e Evidências da Irregularidade
A apuração jornalística, fundamentada em relatório policial obtido pela reportagem e confirmado pelo Portal da Transparência do governo estadual, revelou que o salário bruto do tenente ascendia a R$ 27.378,95 mensais, valor pago integralmente pelo erário público estadual e que, na modalidade de bico, corresponde a cerca de R$ 29,16 por hora — quase o dobro do valor efetivo percebido por um professor municipal iniciante. O incidente ocorreu quando agentes da Corregedoria da Polícia Militar interceptaram o ônibus da Viação Santa Cruz, com rota para Itapira, na Vila Guilherme (zona norte de São Paulo), às 20h45 do último sábado.
O tenente havia sido nominalmente escalado para exercer a Atividade Delegada até as 22h, conforme constatado no documento oficial da PM, mas abandonou o local de serviço sem justificativa aparente. A prática configurou abandono de posto — figura prevista no Regulamento Disciplinar da Corporação —, descumprimento de missão e falsidade ideológica, ao alegar suposta atividade operacional que não se concretizava em efetiva atuação.
O tenente percebia cerca de R$ 29,16 por hora em sua atividade extraoficial, valor quase o dobro do ganho líquido mensal de um professor municipal iniciante.
Consequências Jurídicas e Ausência Institucional
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) e o Estado Maior da Polícia Militar ainda não se manifestaram formalmente sobre as medidas administrativas adotadas ou sobre a localização atual do tenente junto ao Presídio Romão Gomes, apesar da notificação oficial registrada no boletim policial. A omissão institucional reforça a necessidade de esclarecimentos sobre os protocolos de acompanhamento de agentes em regime de bico.
Com base nas condições contratuais vigentes desde 2009 — quando a Atividade Delegada foi instituída como programa piloto entre os governos estadual e municipal —, o tenente terá direito a revisão administrativa disciplinar, que pode culminar em suspensão ou exoneração do cargo efetivo, bem como sanções previstas no Código Penal e no Regimento Interno da PMSP.



