Durante entrevista concedida a jornalistas na quarta-feira (23/9), o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Jaime Spengler, reafirmou que a instituição não pode permanecer indiferente diante do uso crescente das igrejas como palanque para a autopromoção de candidatos nas eleições, ao mesmo tempo em que destacou a necessidade de preservar o papel institucional da religião como promotora de voto consciente e não partidário em um cenário político tenso e desafiador.
Contexto Institucional e Crítica às Práticas Eleitorais
A cúpula da CNBB manifestou preocupação com o incremento de manifestações religiosas usadas como ferramenta de campanha, especialmente após declarações de Dom Jaime Spengler, que ressaltou que a Igreja não faz opção por partidos nem se envolve diretamente com agendas partidárias, mas defende o exercício consciente do cidadão sem instrumentalizar a fé para fins políticos.
Além disso, o vice-presidente da entidade, Dom João Justino, considerou grave a prática de candidatos se apresentarem como 'escolhidos de Deus', argumentando que essa narrativa conflita com os princípios cristãos e pode induzir fiel à desconfiança no processo eleitoral.
A CNBB afirma que o uso de igrejas para autopromoção de candidatos é 'não salutar' e historicamente associado a resultados negativos.
Repercussão e Próximas Diretrizes
Em resposta às críticas, a CNBB oficializou a criação de um grupo de trabalho voltado para discutir a inteligência artificial e os rumos da Igreja no futuro, sinalizando abertura para diálogo sobre temas contemporâneos sem abrir mão de seus princípios éticos.
Ao mesmo tempo, Dom Ricardo Hoepers, secretário-geral da CNBB, reiterou o posicionamento contrário às apostas esportivas, destacando o impacto moral e social do vício em jogos, especialmente diante da atual discussão sobre regulamentação federal.
A entidade também defende revisão de privilégios concedidos a autoridades em todas as esferas do poder, incluindo Judiciário, como forma de garantir imparcialidade no exercício da função pública.



