O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em entrevista publicada pelo jornal norte-americano The New York Times, que o plano para deixar o país foi de sua total autoria e que levará os detalhes da operação consigo "para o túmulo". De acordo com o parlamentar, a decisão ocorreu após a Polícia Federal solicitar a entrega de seus passaportes em decorrência de uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Flávio relatou que, no momento da notificação, Jair Bolsonaro teria perguntado se ele sabia onde as autoridades queriam chegar com a medida, ao que ele respondeu que estava preparado e sabia o que fazer. O senador negou ter comentado o plano de fuga com o ex-presidente e afirmou que a autoria partiu dele e de sua esposa, Fernanda Bolsonaro.
Durante a conversa, ele voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), classificando as investigações como politicamente motivadas, especialmente as conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes. O jornal lembra que Flávio não é acusado por nenhum crime, embora seja investigado em três inquéritos na Suprema Corte.
As apurações envolvem suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse e indícios de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionados ao advogado Willer Tomaz. O senador também questionou o resultado das eleições presidenciais, alegando possíveis fraudes e afirmando que perdeu "para o sistema", apesar do TSE e outras entidades reconhecerem a lisura do pleito.
Vivendo atualmente nos Estados Unidos, Flávio disse que espera que a estadia seja temporária e não descarta concorrer a outra eleição: "Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente". Ele também falou sobre a mobilização no exterior para pautas como a redução da maioridade penal e a dosimetria para os condenados do 8 de Janeiro.



