A crise política e econômica no Paraguai, desencadeada pela suspensão do Banco Ueno, mobiliza a atenção do governo brasileiro. O episódio levou à renúncia do presidente e dirigentes do Banco Central do Paraguai (BCP), além do impeachment e prisão do presidente Santiago Peña. Com quase 200 anos de relações diplomáticas e mais de mil quilômetros de fronteira compartilhada, o Brasil avalia que a instabilidade regional pode comprometer mecanismos de integração dos quais é um dos principais articuladores.
Brasília e Assunção mantêm uma relação profunda, fundamentada na gestão conjunta da Usina Hidrelétrica de Itaipu e na fundação do Mercosul. Além disso, o Paraguai abriga mais de 250 mil brasileiros em seu território. Diante desse cenário, o cientista político Rogerio Pereira de Campos avalia que o Brasil pode precisar atuar para equilibrar a região, uma vez que desequilíbrios políticos ou econômicos no vizinho podem ter impactos negativos para o país.
O governo brasileiro adota postura cautelosa, respeitando a soberania paraguaia e tratando a crise como assunto interno de Assunção. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desejou êxito ao novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, que assumiu o cargo após o impeachment de Peña. Em mensagem nas redes sociais, Lula manifestou interesse em manter cooperação e fortalecer laços bilaterais, além de esperar receber Alliana em Brasília para examinar a agenda bilateral.
Em relação à Hidrelétrica de Itaipu, a empresa afirmou que não há recursos financeiros sob gestão da margem brasileira depositados ou aplicados no Ueno Bank, e que a operação segue normalmente sem impacto na produção e fornecimento de energia. Do lado paraguaio, estimativas apontam que a Itaipu mantinha aproximadamente R$ 89,9 milhões no banco, aplicados pelo fundo de pensão da empresa, colocando em risco recursos de aposentados da margem paraguaia.
