Na quarta-feira (2/9), o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no Palácio de Miraflores em Caracas, para avançar nas negociações do ambicioso acordo de exploração de 17 campos petrolíferos, que prevê produção de até 65 bilhões de barris e investimento de US$ 100 bilhões ao longo de 100 anos pela empresa norte-americana North American Blue Energy Partners (Nabep).
Contexto Histórico e Estrutura do Acordo Bilateral
A reunião ocorreu após flexibilização parcial das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos à Venezuela em fevereiro de 2024, medida que permitiu a retomada de diálogos formais entre os dois países sobre o setor energético, anteriormente interrompidos por restrições financeiras e geopolíticas.
O acordo firmado entre a PDVSA e a Nabep prevê concessão exclusiva de 100 anos para exploração dos campos, com participação majoritária norte-americana no conselho administrativo — permitindo que Washington nomeie ou vetare decisões estratégicas — e estabelece que 20% da produção será adquirida pelo governo dos EUA a preço de custo, enquanto a Venezuela espera arrecadar US$ 209 bilhões em royalties para financiar a reconstrução nacional.
O acordo prevê US$ 100 bilhões em investimentos diretos da Nabep ao longo de um século e gerará cerca de US$ 209 bilhões em tributos para a Venezuela.
Repercussão Institucional e Desafios O peracionais
A legitimidade do governo de Delcy Rodríguez, que assumiu o comando após a queda de Nicolás Maduro em janeiro de 2023, foi questionada internacionalmente, mas o Parlamento venezuelano e a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) manifestaram apoio ao pacto, reforçando a continuidade da política energética estratégica do país.
Apesar do respaldo doméstico, o texto do acordo exige aprovação final pela Assembleia Nacional Constituinte, órgão controlado pelo regime, o que ainda gera incerteza sobre a efetivação das cláusulas financeiras e operacionais previstas.



