Segundo o levantamento "Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre violência", desenvolvido pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, 94% das mulheres no Brasil manifestam insegurança diante da violência, enquanto 78% relataram já ter sido vítimas de algum tipo de agressão, predominando a violência psicológica, e 60% identificam a violência doméstica como principal fonte de temor.
Contexto Institucional e Histórico da Pesquisa
A pesquisa, realizada entre 22 e 30 de abril de 2026 com amostra de 1.500 indivíduos acima de 16 anos em todas as regiões do país, revelou que o temor da violência ultrapassa fronteiras de gênero, afetando 94% das mulheres e 84% dos homens em termos de percepção de segurança nos deslocamentos urbanos, embora a vulnerabilidade seja socialmente atribuída às mulheres por meio de estereótipos históricos de vulnerabilidade corporal e institucional.
O estudo, que contou com apoio logístico da Uber e metodologia qualitativa quantitativa, demonstrou que o medo permeia decisões cotidianas, com 62% das entrevistadas modificando hábitos de lazer, 58% evitando locais de consumo habitual, 56% optando por transporte motorizado em trajetos curtos e 45% abnegando oportunidades profissionais ou acadêmicas por receio de violência.
94% das mulheres no Brasil expressam insegurança frente à violência, enquanto 78% já sofreram algum tipo de agressão, sendo a violência doméstica temida por 60% delas
Repercussão Jurídica e Posicionamentos Institucionais
A insatisfação institucional foi evidente, com 73% das mulheres apontando críticas à atuação das polícias Militar e Civil, seguidas por avaliações negativas ao Legislativo (74%), aos governos estaduais (72%) e aos poderes Judiciário e Executivo federal (71%), evidenciando falhas sistêmicas na proteção efetiva das vítimas.
Diante do quadro, 95% consideram essencial a ampliação dos canais de denúncia e apoio às vítimas, enquanto 93% demandam melhorias na infraestrutura urbana, como iluminação pública e transporte seguro, demandas que já repercutem nas agendas eleitorais, conforme indicado por 78% das entrevistadas que atribuem peso decisivo a propostas de enfrentamento à violência nas urnas.



