Na madrugada de 8 de abril de 2024, durante o transcurso do feriado de Dia da Consciência Negra, Zélia Amador de Deus, professora emérita da Universidade Federal do Pará e uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), veio a falecer em decorrência de um acidente na rodovia estadual PA-356, no município de Santa Maria do Pará, onde o balanço oficial registrou 21 feridos e uma fatalidade, consolidando-se como mais uma vítima entre as vítimas fatais nas rodovias paraenses neste início de ano.
Contexto Histórico e Atuação Acadêmica da Professora
A investigação preliminar conduzida pela Polícia Militar e pelo Instituto de Medicina Legal confirmou que a fatalidade ocorreu por volta das 18h30, quando o veículo em que Zélia Amador de Deus seguia colidiu frontalmente com outra unidade automotora, resultando em seu óbito imediato e deixando 21 ocupantes com lesões variadas, sendo cinco encaminhados a unidades hospitalares da região; o fato se insere em um cenário de aumento acentuado de acidentes nas rodovias paraenses durante o período festivo, reflexo da combinação entre alta circulação de pessoas e condições precárias de infraestrutura viária.
Ao longo de mais de quatro décadas, Zélia Amador de Deus construiu uma trajetória singular na academia paraense: foi vice‑reitora da UFPA entre 1993 e 1997, tendo coordenado reformas estruturais no ensino superior público, e recebeu o título de professora emérita da mesma instituição em 2019, reconhecimento que atesta sua contribuição à pesquisa, à extensão e à formação docente na área de Ciências Humanas.
Zélia Amador de Deus morreu aos 74 anos, deixando um legado marcado pela defesa incansável das ações afirmativas e dos direitos das comunidades quilombolas do Pará.
Repercussão Institucional e Perspectivas Futuras
A Diretoria da UFPA decretou luto oficial por três dias úteis, suspendendo atividades acadêmicas nas unidades campus e programando homenagens solenes nos prazos estabelecidos pelo regimento interno da universidade; ao mesmo tempo, o Ministério da Educação reforçou a necessidade de preservação das políticas de ação afirmativa instituídas nos últimos anos, citando o exemplo da fundadora do Cedenpa como referência imprescindível para a continuidade dessas pautas.
Com base nos registros históricos do Cedenpa e nas manifestações espontâneas das comunidades negras paraenses, especialistas apontam que a perda de Zélia Amador de Deus representa não apenas um abalo institucional ao movimento negro local, mas também um chamado urgente para que novos lideranças assumam o compromisso com a defesa dos direitos territoriais, a garantia de acesso à educação superior e a implementação efetiva das políticas públicas voltadas às comunidades quilombolas.



