A Operação Fortis Status, realizada em 11 de outubro de 2024 na Fazenda Mutamba, em Marabá, sudoeste do Pará, terminou com as mortes dos trabalhadores rurais Adão Rodrigues de Sousa, 53 anos, e Edson Pereira da Silva, 43 anos. Quatro trabalhadores foram presos durante a ação. Sobreviventes afirmam que os primeiros tiros foram ouvidos entre 3h30 e 4h30, antes do horário judicial autorizado para o cumprimento dos mandados, entre 6h e 18h. Três deles relataram ao Ministério Público que policiais teriam movimentado os corpos e disparado as espingardas encontradas junto às vítimas para simular confronto.
A Polícia Civil sustenta que os agentes chegaram uniformizados, anunciaram presença e foram recebidos a tiros por homens armados. Cinco policiais admitiram ter disparado, nenhum ficou ferido. O laudo pericial classificou a cena como “inidônea”, indicando possibilidade de alterações antes do registro pericial, e começou às 8h46, quase três horas depois do horário informado pela corporação. Houve divergência entre laudos sobre a morte de Edson: o exame local indicou trajetória da frente para as costas, enquanto a necropsia apontou caminho inverso.
O inquérito não identificou quais armas dispararam os tiros fatais. Os cinco fuzis policiais foram testados e funcionavam, mas não foi possível relacionar uma arma específica aos ferimentos. As duas espingardas encontradas com os corpos também funcionavam, mas não esclareceram quem as utilizou ou quando foram disparadas. Para Adão, exame da Polícia Federal encontrou partículas indicativas de resíduos de disparo na mão e pulso direitos, compatível com a possibilidade de ele ter atirado, mas sem comprovar isoladamente essa hipótese.
O Ministério Público do Pará considerou prematuro arquivar o caso sem esclarecer a dinâmica dos disparos e requisitou reconstituição da operação, autorizada pela Justiça em maio de 2025. A medida prevê que os cinco policiais que admitiram ter atirado retornem à fazenda para reproduzir a aproximação aos barracos. Em abril de 2026, o MP classificou como “inércia injustificada” a demora na realização da diligência. Até a publicação da reportagem, a reconstituição ainda não tinha data definida.



