Na manhã de quinta-feira (10), a Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou uma operação coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a O rdem Tributária (DOT) para desarticular um grupo criminoso que movimentou mais de R$ 108 milhões por meio de empresas de fachada no setor de sucatas, envolvendo sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, com alvos investigados por organização criminosa, crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, com penas que podem somar até 23 anos de prisão.
Apuração Criminal e Estrutura de Fraude Fiscal
A investigação teve início a partir de uma autuação fiscal referente a uma empresa de fachada sediada em São Paulo, identificada como destinatária de notas fiscais emitidas por uma empresa fictícia registrada no Distrito Federal, constituída em julho de 2020 e responsável por 49 notas fiscais superiores a R$ 7 milhões emitidas em menos de 20 dias; ao longo da apuração, constatou-se a inexistência de conta bancária vinculada à suposta fornecedora e a ausência de quaisquer movimentações financeiras com a destinatária ou com os demais investigados, indicando estrutura montada exclusivamente para gerar créditos tributários fraudulentos e lavar recursos.
As investigações revelaram que a empresa de fachada recebeu mais de R$ 108 milhões entre julho de 2020 e julho de 2024 e repassou cerca de R$ 107 milhões a entidades distintas, algumas vinculadas aos mesmos sócios ou responsáveis formais, com transferências suspeitas entre pessoas físicas e jurídicas, endereços coincidentes, ausência de empregados cadastrados e estruturas empresariais minimalistas, configurando um esquema elaborado para dissociar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento do fluxo ilícito.
Mais de R$ 108 milhões foram movimentados pelo grupo criminoso por meio de empresas fictícias no setor de sucatas.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Contenção
A Justiça determinou o sequestro preventivo de bens, direitos e valores equivalentes a R$ 56 milhões, incluindo bloqueios em instituições financeiras e investimentos, uma aeronave avaliada em aproximadamente R$ 8 milhões, seis veículos de luxo e um imóvel, medida visando preservar o patrimônio alvo da investigação e assegurar eventual ressarcimento ao erário e recuperação integral dos ativos ilícitos.
As autoridades reforçam que os acusados responderão por crimes graves com penas acumulativas que podem culminar em mais de duas décadas de reclusão, enquanto o Ministério Público acompanha o caso com foco na responsabilização dos beneficiários finais e na desmontagem da rede empresarial utilizada para dissimular a origem dos recursos.


