O fenômeno El Niño vem alterando significativamente o padrão de chuvas e temperaturas no Brasil. Segundo o analista de clima e meio ambiente Pedro Côrtes, o ápice do evento está previsto para ocorrer entre novembro e dezembro, quando o fenômeno deve atingir a temperatura máxima no Oceano Pacífico.
A distribuição regional das chuvas apresenta contrastes. O Sul do Brasil deve registrar volumes acima da média histórica, com intensidade maior no oeste de Santa Catarina e no oeste do Paraná. Essa tendência se estende para São Paulo, Mato Grosso do Sul, Zona da Mata em Minas Gerais, Rio de Janeiro e parte do Espírito Santo. Já na região central do país, o comportamento deve se manter próximo à média histórica.
Por outro lado, a região Centro-Norte enfrenta uma tendência de redução significativa das precipitações, enquanto o Nordeste deve permanecer dentro dos parâmetros históricos. O analista alertou que a estiagem prolongada e intensa na Centro-Norte afeta a agricultura e a geração de energia elétrica, devido à menor disponibilidade de água nas usinas hidrelétricas.
A combinação de menos chuva e temperaturas mais elevadas na região Norte cria condições propícias para o aumento das queimadas na Amazônia. Côrtes explicou que a redução da umidade facilita a propagação de focos de incêndio e dificulta o combate pelas baixas disponibilidades de água e pela dificuldade de locomoção pelos igarapés com nível muito baixo.
Em relação às temperaturas, o Sul e parte do Sudeste devem registrar valores mais baixos, enquanto a metade norte do país, com destaque para o Nordeste e a região central do Norte, deve enfrentar calor acima da média. Além disso, Côrtes comentou um relatório elaborado por 80 cientistas que alerta para o risco de perdas irreversíveis de gelo no planeta.
O degelo das geleiras contribui diretamente para a elevação do nível dos oceanos, aumentando o poder de erosão costeira. O especialista citou a redução significativa da faixa de areia em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, e a diminuição de uma geleira próxima à Estação Brasileira na Antártida ao longo das últimas décadas como exemplos desse comportamento.



