O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu com otimismo a conquista do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. Com o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, os democratas derrotaram a base do presidente Donald Trump, alterando a composição do Congresso norte-americano.
A vitória também se refletiu em governos estaduais, onde democratas venceram em regiões antes comandadas por republicanos, como Geórgia, Iowa, Texas, Ohio e Nevada. Aliados do governo brasileiro celebraram o resultado nas redes sociais, destacando a derrota de Trump e traçando paralelos com a eleição de Lula no Brasil.
O Palácio do Planalto aguardava o desfecho do pleito para definir os rumos da relação bilateral, que vinha estremecida por divergências políticas e comerciais. A expectativa é que as negociações sobre temas pendentes sejam retomadas agora que o período eleitoral nos EUA terminou.
Um dos principais impasses é o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. As conversas entre negociadores haviam sido retomadas em agosto após ligação entre Lula e Trump, mas foram suspensas devido ao calendário eleitoral americano.
Com a maioria democrata no Congresso, há uma avaliação de que será mais fácil discutir pautas prioritárias para Lula, como meio ambiente e a regulação das big techs. Aliados apontam que a campanha brasileira foi marcada por desequilíbrios na atuação de plataformas digitais, especialmente a Meta.
A relação entre os países também foi afetada por episódios recentes, como a limitação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti e a concessão de visto de permanência ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que deixou o Brasil descumprindo decisão judicial. Os EUA foram um dos poucos países a não reconhecer oficialmente a vitória de Lula.
Apesar das tensões, o governo adota cautela e evita reagir às declarações de Trump para não escalar a crise. O objetivo do Planalto é se distanciar de desgastes políticos e evitar que o episódio seja utilizado como instrumento de disputa interna.



