O congelamento dos reajustes do Bolsa Família, BPC e aposentadorias entre 2022 e 2025, analisado pelo Made da USP com base na PNAD Contínua de 2025, projeta a entrada de 217,4 mil pessoas na pobreza no interior do Pará, além de 141,6 mil pessoas em cenário semelhante ao adotado no governo Bolsonaro (2019-2022), evidenciando o peso estrutural dessas transferências na renda familiar e na economia regional.
Contexto Institucional e Antecedentes da Pesquisa
A pesquisa intitulada 'Quanto perdem as economias do interior quando os benefícios sociais deixam de crescer?', desenvolvida pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) da Universidade de São Paulo, utilizou a PNAD Contínua de 2025 para simular os efeitos distributivos da estagnação nos reajustes do Bolsa Família, BPC e aposentadorias, considerando a dependência da renda familiar dessas transferências em municípios do interior do Pará.
O levantamento revelou que os benefícios sociais correspondem a 23% da renda total das famílias nos municípios paraenses do interior, valor superior aos 20% observados em Belém e na região metropolitana, com participação que atinge cerca de 37% entre os grupos de baixa renda, população definida como domiciliar com rendimento inferior a uma vez e meia à linha de pobreza do Banco Mundial.
O congelamento dos reajustes entre 2022 e 2025 pode deixar 217.400 pessoas na pobreza no interior do Pará, segundo projeção do Made da USP com base na PNAD Contínua de 2025
Repercussão Técnica e Reações O ficiais
O Ministério da Cidadania, responsável pela gestão do Bolsa Família, afirmou que eventuais alterações nos reajustes serão avaliadas em conjunto com o Ministério da Economia, considerando o impacto social e fiscal da medida.
A economista Luiza Nassif, professora da Unicamp e pesquisadora do Made, destacou que o recurso recebido pelas famílias é aplicado quase integralmente em bens de primeira necessidade, movimentando o comércio local, gerando empregos e preservando a arrecadação municipal.
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