Na quarta-feira (14/10), o Senado Federal aprovou em dois turnos a Proposta de Emenda à Constituição que elimina a escala 6×1 de trabalho, consolidando uma vitória política para o governo Lula e gerando intenso debate sobre as implicações sociais e econômicas da mudança.
Contexto Institucional e Antecedentes da Aprovação da PEC
A matéria foi submetida à votação após aprovação na Câmara dos Deputados e contou com o apoio unânime de 75 dos 81 senadores presentes, enquanto apenas um – Hamilton Mourão (Republicanos-RS) – manifestou oposição, e três parlamentares ausentes. A iniciativa, prioridade declarada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visa substituir a atual estrutura de trabalho, que prevê seis dias de jornada diária com um dia de descanso semanal, por um regime de jornada mais flexível, segundo os defensores da medida.
A Fiesp, representando o setor produtivo paulista, alertou que a alteração pode estimular a informalização do emprego, sobrecarregar setores estratégicos como saúde, educação, transporte, comércio varejista e indústria química, além de gerar impactos diretos na carga tributária e nos custos operacionais das empresas, que repassarão despesas ao consumidor final.
O custo da mudança será pago pela sociedade, com aumento de despesas como boletos de condomínio e preços repassados às empresas, segundo Paulo Skaf.
Repercussão Política e Desdobramentos Futuramente
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, classificou a decisão como 'açodada', destacando que pautas de grande magnitude deveriam passar por debate aprofundado e fora do calendário eleitoral, evitando o risco de se tornar uma 'PEC Boca de Urna'. Ele ressaltou ainda que a medida pode intensificar a migração ao trabalho informal e gerar prejuízos sociais em serviços públicos essenciais.
Com a promulgação iminente da PEC, especialistas apontam que a regulamentação detalhada ficará a cargo do Congresso Nacional, enquanto o Judiciário poderá ser acionado para verificar a constitucionalidade da nova ordem trabalhista. O debate permanece aberto sobre os efeitos reais da mudança no mercado de trabalho brasileiro.



