O governo brasileiro busca dimensionar a participação dos governos da Argentina e dos Estados Unidos na saída de Flávio Bolsonaro do país, ocorrida poucos dias após sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais. O episódio gerou repercussões no cenário político interno e nas relações internacionais do Brasil.
Em entrevista ao CNN Novo Dia, o cientista político Maurício Santoro afirmou que a saída de Flávio Bolsonaro representa uma transformação profunda e acelerada no campo oposicionista. Ele destacou que a família Bolsonaro foi, nos últimos dez anos, a liderança do campo conservador brasileiro e a oposição ao governo Lula neste terceiro mandato.
Santoro ressaltou que a família se encontra hoje dividida geograficamente e em termos de condições políticas, com Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, dois filhos nos Estados Unidos e Carlos e Michelle Bolsonaro no Senado. Segundo ele, não está claro como essa coordenação vai acontecer entre os integrantes da família, ou mesmo se haverá algum tipo de coordenação ou entendimento.
O especialista criticou duramente a carta publicada por Flávio Bolsonaro, descrevendo o conteúdo como absolutamente desastroso. Para Santoro, a carta está afastando aliados e criando um vazio político que será preenchido pelo governador Tarcísio de Freitas, alguém que está no Brasil, ocupando um cargo importante, à frente do estado mais populoso e mais rico, e que tem se posicionado de maneira moderada, respeitando a constituição e as regras democráticas.



