Na terça-feira, 29 de setembro, uma técnica de enfermagem de 46 anos foi submetida a um brutal atentado dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Riacho Fundo II, no Distrito Federal, após ser enforcada com o cabo de um carregador de celular por uma paciente de 54 anos, fato que reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade dos profissionais de saúde em unidades públicas e demandou respostas imediatas das autoridades sanitárias e do Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal.
Contexto Institucional e Procedimentos Apurados
A vítima, identificada apenas como técnica de enfermagem por opção própria, encontrava-se em pleno exercício de suas funções quando a paciente, durante atendimento clínico, exibiu comportamento agressivo e, após ser contida inicialmente pela equipe, utilizou o cabo do carregador de celular para aplicar a tentativa de enforcamento, sendo prontamente interrompida por colegas que estavam de plantão e encaminhada a avaliação médica imediata; o episódio gerou comoção entre os profissionais presentes e mobilizou a direção da unidade para adoção urgente de medidas protetivas e acionamento das instâncias competentes.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) rapidamente requisitou ao Instituto de Gestão Estratégica do DF (Iges-DF), responsável pela administração das UPAs, bem como à Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), a adoção imediata de uma política antiviolência institucionalizada e o cumprimento das recém-sancionadas Leis nº 7.743/2025 e 7.934/2026, que dispõem sobre a obrigatoriedade de serviços de vigilância privada em unidades públicas de saúde e a criação do Programa de Proteção e Segurança Integral aos Profissionais de Saúde, respectivamente.
Mais de 70% dos profissionais de saúde já sofreram algum tipo de violência no exercício da profissão, segundo levantamento do Coren-DF em 2024.
Repercussão Legal e Perspectivas Futuras
Em pronunciamento oficial, Elissandro Noronha, presidente do Coren-DF, destacou a urgência da implementação imediata das políticas de segurança: "Até quando a enfermagem terá que suportar a violência no exercício da profissão? Até onde pode chegar a ira de alguém que não conseguiu atendimento? Basta de violência! A enfermagem está na linha de frente para cuidar e também deve ser protegida", reforçando a necessidade da regulamentação efetiva das leis recentes e da fiscalização rigorosa dos protocolos emergenciais.
Com base nas medidas previstas no Programa de Proteção e Segurança Integral, o Iges-DF informou estar avançando na instalação de botões do pânico em todos os setores críticos das UPAs, na contratação efetiva de vigilantes privados treinados para atuar nas unidades públicas e na capacitação continuada da equipe multiprofissional para lidar com crises comportamentais em pacientes sob risco.



