O Ministério Público da Espanha avalia como "muito difícil" a abertura de um processo criminal contra o goleiro Jesús Owono, envolvido na morte do atacante Jesús de Miguel, do Tenerife. O episódio ocorreu na segunda-feira (2), durante partida contra o FC Andorra, pela segunda divisão do futebol espanhol, e o atleta não resistiu aos ferimentos, tendo o óbito confirmado nesta terça-feira (3).
José Luis Sánchez-Jáuregui, procurador da região de Santa Cruz de Tenerife, afirmou à agência EFE que o entendimento do Tribunal espanhol é de que lesões sofridas em campo não são puníveis, exceto quando há agressão explícita com o jogo paralisado. Por isso, a primeira análise deve partir da súmula do árbitro e depois da decisão da Justiça desportiva, que verificará se houve intenção de Owono em causar dano ao atacante.
O choque aconteceu no último minuto do confronto, quando De Miguel tentou alcançar uma bola lançada em profundidade e foi atingido na região do peito pelo joelho de Owono, que havia saído da área para afastar o perigo. O goleiro recebeu cartão vermelho direto pela jogada, e o atacante caiu imóvel no gramado, enquanto jogadores das duas equipes pediam atendimento médico.
A equipe médica realizou os primeiros procedimentos ainda em campo por mais de cinco minutos. Em seguida, De Miguel foi levado de ambulância a um hospital, mas não resistiu. A partida foi interrompida aos sete minutos dos acréscimos.
A família de Jesús de Miguel pode discordar das conclusões do caso e apresentar uma queixa, o que levaria a uma investigação. Segundo Sánchez-Jáuregui, provavelmente o caso seria classificado como homicídio culposo, não intencional, por negligência menos grave.



