O governo federal anunciou a criação de uma força-tarefa integrada por Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho, Advocacia-Geral da União, Tribunal Superior do Trabalho, Ministério Público Eleitoral e Ministério da Justiça e Segurança Pública para combater práticas de assédio eleitoral no ambiente profissional. A medida foi tomada após relatos nas redes sociais de empresários que incentivavam a demissão de funcionários que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de publicações que estimulavam o boicote a estabelecimentos que declaram apoio ao petista.
O Ministério do Trabalho e Emprego disponibilizou um canal de denúncias específico para casos de discriminação por posicionamento político ou voto e iniciou uma campanha contra coação, ameaça ou discriminação no trabalho, com orientações enviadas por notificações no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. O órgão também avalia a criação de uma “lista suja” para empregadores envolvidos com irregularidades.
Segundo o Ministério Público do Trabalho, foram registradas cerca de 2,3 mil denúncias de assédio eleitoral apenas em outubro. O órgão acionou a Meta pedindo a retirada do ar de conteúdos que estimulem a demissão de funcionários, e a Justiça do Trabalho determinou à empresa a derrubada dessas publicações em um prazo de até 24 horas.
O governo também adotou medidas para conter a onda de violência contra apoiadores de Lula após o pleito. Dados divulgados apontam 45 crimes relacionados à eleição entre sábado (24/10) e quarta-feira (28/10), com 47 vítimas, sendo dez mortes. Entre as ocorrências estão casos de ameaça, intimidação e agressão.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública acionou as corregedorias de polícias estaduais e do Distrito Federal para apurar episódios envolvendo agentes de segurança. Há também relatos de violência contra povos indígenas, com mais de 30 casos relacionados ao processo eleitoral em 2026 levantados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).
A APIB denunciou que comunidades Guarani Kaiowá em Mato Grosso do Sul enfrentam agravamento da violência após o segundo turno, com relatos de assassinatos, atropelamentos, ataques e ameaças de envenenamento das fontes de água utilizadas pelas famílias indígenas. O Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal para investigar o caso, enquanto as pastas dos Direitos Humanos e Cidadania e Igualdade Racial trabalham em força-tarefa para cobrar a investigação das denúncias contra indígenas, quilombolas e outros grupos.



