Os juros futuros registraram fortes altas no pregão seguinte à eleição presidencial, com alguns contratos subindo mais de 250 pontos-base. Para Jerson Zanlorenzi, head da mesa de derivativos do BTG Pactual, o movimento reflete preocupações dos investidores com o risco estrutural do país.
O volume na Bolsa atingiu R$ 140 bilhões, cerca de três vezes a média diária anterior de R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões. O circuit breaker foi acionado com queda de 15%, e o real teve sua pior performance desde 1999.
Investidores que haviam aumentado a exposição a setores como construção civil, varejo, shopping centers e financeiro nas semanas anteriores precisaram desfazer posições rapidamente após o resultado eleitoral. Papéis líquidos chegaram a cair entre 30% e 60% em um único dia.
A parte longa da curva de juros subiu entre 2% e 2,5%, refletindo receios com a trajetória da dívida pública. Já a parte curta segue pressionada por inflação elevada, petróleo a US$ 113 o barril e desvalorização cambial, dificultando cortes na Selic.
Zanlorenzi afirmou que o Brasil precisa de medidas estruturais e reformas que reduzam o risco Brasil. Com a taxa livre de risco próxima a 14%, grandes investimentos de longo prazo ficam difíceis de justificar.
O especialista projetou que o mercado deve continuar adicionando prêmio de risco enquanto não houver clareza sobre os planos do governo e medidas concretas. A retomada do apetite ao risco deve ocorrer apenas quando o índice se estabilizar e a volatilidade recuar.



