Segundo estimativa da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão vinculado à O rganização das Nações Unidas (O NU), o fenômeno El Niño provocará perda de pelo menos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina ao longo de três anos, com metade dos efeitos já se manifestando no primeiro ano, exigindo medidas governamentais urgentes para mitigar impactos em setores estratégicos como energia, agricultura, pesca e infraestruturas.
Contexto Institucional e Diagnóstico do Impacto Climático
A Cepal alerta que mais de 70% da matriz elétrica da região é gerada por usinas hidrelétricas, enquanto mais da metade da capacidade instalada possui mais de 30 anos de operação, criando vulnerabilidade à variação hídrica provocada pelo El Niño, com aumento da demanda por energia em grandes centros urbanos como São Paulo, Lima e Cidade do México em períodos de escassez hídrica.
O relatório aponta ainda que as alterações climáticas acarretarão migração de espécies marinhas e redução na disponibilidade de recursos hídricos, comprometendo a segurança alimentar e a cadeia produtiva do setor pesqueiro, que já registrou quedas de até 52,7% em episódios anteriores de Super El Niño.
A perda estimada do PIB da América Latina em três anos equivale a mais de 2% do total econômico regional, com risco de empurrar até 4,8 milhões de pessoas à pobreza.
Repercussão Setorial e Resposta Governamental
Em pronunciamento à imprensa, o secretário-executivo da Cepal, Alicia Bárcena, afirmou que 'a urgência reside na implementação imediata de sistemas de alerta precoce e na destinação de recursos para a proteção física de ativos estratégicos', destacando a necessidade de investimentos coordenados entre setores público e privado.
O s próximos passos incluem a criação de fundos de reserva específicos para catástrofes climáticas, a modernização dos sistemas elétricos com fontes renováveis e a ampliação dos seguros paramétricos para agricultores familiares, conforme recomendações técnicas do relatório.



