Deputados gastam R$ 2,1 milhões em anúncios políticos na Meta em 2026

Em 2026, deputados utilizaram R$ 2,1 milhões da cota parlamentar na Meta para impulsionar anúncios políticos no Instagram e Facebook, quase quatro vezes mais que os R$ 572 mil de 2022. O deputado Bruno Ganem pagou cerca de R$ 2 mil para um vídeo que atingiu mais de 1 milhão de pessoas em São Paulo. A Meta é a única plataforma que permite propaganda política em 2026, após o Google proibir impulsionamento em todas as suas redes. Os parlamentares podem usar a cota apenas até 4 de junho em anos eleitorais.
Em 2026, os parlamentares da Câmara dos Deputados utilizaram R$ 2,1 milhões da cota parlamentar para impulsionar anúncios políticos nas redes sociais da Meta, a empresa que administra o Facebook e o Instagram. O valor corresponde a quase quatro vezes o gasto registrado no mesmo período da eleição de 2022, quando os deputados desembolsaram R$ 572 mil.
O deputado federal Bruno Ganem (Podemos‑SP) foi o maior consumidor individual da cota no primeiro semestre de 2026, pagando cerca de R$ 2 mil à Meta para impulsionar um vídeo que alcançou mais de 1 milhão de pessoas em São Paulo, principalmente na base eleitoral de Indaiatuba. O conteúdo, que destaca a atuação do parlamentar na causa animal, foi financiado com verba da cota parlamentar.
A Meta permanece, até o momento, a única plataforma que permite veiculação de propaganda política em 2026. Em 2024, o Google proibiu o impulsionamento de anúncios políticos em todas as suas redes, incluindo o YouTube, X, TikTok e Kwai. Assim, os deputados têm de recorrer exclusivamente à Meta para alcançar eleitores por meio de anúncios pagos.
Segundo a legislação, os parlamentares podem usar a cota para impulsionar conteúdos políticos apenas até 4 de junho em anos eleitorais. O uso da cota tem sido crescente desde o início da legislatura: R$ 1,8 milhão em 2023, R$ 2,1 milhão em 2024 e R$ 3,2 milhão em 2025. Desde agosto de 2020, quando a Meta começou a registrar publicidades políticas, Ganem já gastou R$ 740,9 mil em impulsionamentos, embora parte desse período corresponda a quando ele ainda não era deputado.
Especialistas apontam que o aumento nos gastos reflete o maior consumo das redes sociais pelos brasileiros e a consolidação de um “monopólio” da Meta no mercado de anúncios políticos. A estratégia de impulsionamento permite que os parlamentares ampliem o alcance de suas mensagens, desde prestação de contas até a divulgação de causas específicas.
A Meta exige que os anunciantes confirmem identidade, residência no país e forneçam dados de contato antes de publicar anúncios políticos. O conteúdo recebe um rótulo indicando que foi pago e inclui informações de contato do anunciante.
Até o momento, a Meta não se manifestou sobre os valores divulgados. A reportagem baseou‑se em dados de cota parlamentar e em declarações de parlamentares e especialistas para compilar o panorama dos gastos com publicidade política em 2026.
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