Governo adia reunião para avaliar impacto da proibição das bets no futebol
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adiou a reunião prevista para esta terça-feira (29/9) com representantes de clubes de futebol e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a fim de analisar as consequências da proibição das apostas esportivas (bets) no setor esportivo. A decisão foi motivada por questões logísticas relacionadas à disponibilidade de voos, segundo informou a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. A nova data e o horário ainda serão definidos e comunicados posteriormente à CBF, que será responsável por repassar os detalhes aos clubes e federações estaduais.
A medida provisória que proíbe as apostas esportivas entrou em vigor na sexta-feira (25/9), determinando que todos os sites e aplicativos de aposta devem sair do ar até 6 de outubro. Nesse período, os usuários terão até 23h59 do dia 5 de outubro para resgatar saldo remanescente, após o qual as plataformas deverão ser desativadas definitivamente. Até o momento, não há definição sobre medidas compensatórias para os clubes, que dependem de patrocínios com empresas do setor. O governo quer ouvir as demandas dos clubes antes de definir os próximos passos.
O presidente Lula destacou que a proibição não traz prejuízo ao futebol brasileiro, alegando que as bets não existiam durante os "melhores momentos" da história do esporte. Em discurso recente, afirmou que os clubes "se virem" e que é necessário substituir a atuação das plataformas por gestores competentes, já que a lei permite que os times se tornem empresas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou a postura do Executivo, ressaltando a necessidade de escutar o setor antes de adotar medidas definitivas.
Além disso, o BNDES negou a possibilidade de oferecer linhas de crédito subsidiadas aos clubes, citando vedação estatutária que impede tais financiamentos. A Associação Brasileira de Futebol (ABF) e representantes dos clubes entraram com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a medida provisória até que o Congresso Nacional analise e vote definitivamente a matéria. O Congresso tem prazo de 120 dias para apreciar a MP e decidir se ela será mantida ou derrubada, sob pena de perda de validade automática.



