O Procon-DF anunciou que vai notificar os hotéis para esclarecer os valores cobrados nas diárias durante a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevista para 5 de janeiro de 2027. O órgão avaliará se os reajustes se enquadram como práticas abusivas previstas no Código de Defesa do Consumidor, como aumentos arbitrários sem justa causa.
O Ministério Público do Distrito Federal também foi acionado por parlamentares e informou que acompanha a escalada dos preços para adotar as providências cabíveis. O deputado distrital Fábio Felix (PSol) solicitou a investigação após identificar aumentos de até 23 vezes nos valores da hospedagem para o período entre 4 e 6 de janeiro, comparados com a semana seguinte.
Segundo levantamento apresentado pelo parlamentar, uma diária standard em hotel para 5 de janeiro é anunciada por R$ 12,5 mil, enquanto no dia 12 o valor cai para R$ 532. Em plataformas como Airbnb e Booking, os preços chegam a R$ 4,5 mil e R$ 3,6 mil na data da cerimônia, caindo para R$ 467 e R$ 290 na semana seguinte.
O deputado Chico Vigilante (PT) classificou a situação como uma 'atitude criminosa contra turistas cívicos' e afirmou ter acionado a Senacon e o Procon-DF. Já o deputado Pastor Daniel de Castro (PP) declarou que é preciso enfrentar o abuso contra o consumidor e evitar a exploração da população local.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-DF) defende que o aumento é uma prática legítima baseada em precificação dinâmica. Segundo a entidade, os valores sobem conforme a disponibilidade de apartamentos diminui e acomodações mais econômicas se esgotam primeiro, restando suítes superiores com preços naturalmente mais altos.
Pesquisa realizada em sites de hotelarias e plataformas de reservas identificou pelo menos dez hotéis cobrando diárias acima de R$ 9 mil. Os estabelecimentos com valores mais elevados estão localizados no Setor Hoteleiro Norte, próximo à Esplanada dos Ministérios.



