A nomeação de Tereza Cristina (PP-MS) para assumir o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) ganha força nos bastidores da campanha do candidato do PL à Presidência da República, apresentando-se como alternativa viável ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos Estados Unidos.
Alta Costura Política na Estratégia de Governo
Em meio a resistências internas à proposta de colocar Eduardo como chanceler, Tereza Cristina surge com histórico de senioridade e peso político consolidado durante seu mandato como ministra da Agricultura. Sua trajetória no campo diplomático, especialmente no relacionamento com a China, é apontada como ativo estratégico para o comando do Itamaraty, considerando a necessidade de equilibrar relações internacionais em um cenário marcado por polarização.
Tereza Cristina possui histórico consolidado de diálogo com autoridades chinesas, construído durante sua gestão na Agricultura, o que a torna uma opção pragmática para as relações internacionais.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi alvo de decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou o início do cumprimento da pena de quatro anos e dois meses de reclusão por coação no curso do processo, além do cancelamento de seu passaporte. A condenação, que prevê regime semiaberto inicial, ocorreu por uso de influência para interferir no processo que condenou Jair Bolsonaro.
Nesse contexto, a estratégia da ala mais conservadora da campanha de Flávio Bolsonaro prioriza evitar uma possível crise diplomática imediata ao afastar Eduardo do cargo. A senadora é vista como figura com capacidade técnica e experiência em negociações internacionais, especialmente após fortalecer laços com a China durante a pandemia e as críticas do governo anterior ao país asiático.
Apesar da proximidade com setores alinhados ao modelo Trump nos EUA, Flávio Bolsonaro declarou publicamente sua intenção de manter uma postura pragmática com a China, afirmando que o Brasil deve priorizar investimentos e transferência tecnológica sem escolher entre blocos geopolíticos. Tereza Cristina reforça essa visão ao trazer experiência em negociações multilaterais e um perfil menos polarizador para o ministério.
Sua eventual chegada ao Executivo também abriria espaço para que o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial do PL, assuma o comando do Senado, consolidando uma reestruturação da equipe governamental alinhada à base conservadora do partido.



