A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou significativamente seu cenário de demanda e oferta de petróleo, projetando uma queda mais acentuada no consumo global em 2026 e uma recuperação tardia da oferta, com impactos profundos para os mercados refinados e para a geopolítica energética.
Ajuste Estratégico da AIE e Contexto Geopolítico
A entidade divulgou, nesta sexta-feira (11), que o consumo mundial de petróleo deve recuar 2,5 milhões de barris por dia em 2026, revisando para baixo sua projeção anterior em 1,6 milhão de barris por dia, sinalizando uma desaceleração mais robusta do crescimento econômico global e reflexos da transição energética acelerada em economias emergentes.
As projeções atualizadas se fundamentam em ajustes nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, cujo impasse prolongado atrasa a normalização dos fluxos pétreos, enquanto fatores estruturais como eficiência energética, substituição por renováveis e desaceleração da industrialização chinesa contribuem para a revisão de demanda.
A AIE estima que a escassez de produtos refinados é agora mais aguda do que nos mercados de petróleo bruto, com o diesel/gasóleo ultrapassando US$ 200 por barril nos EUA em setembro.
Repercussões Técnicas e Estratégicas no Mercado Global
A oferta total de petróleo deve cair para 100,7 milhões de barris por dia este ano, representando redução de 5,7 milhões em relação ao ano anterior, com a recuperação da produção no Golfo adiada para 2027, conforme relatório técnico da agência.
As refinarias registraram produção de 81,4 milhões de barris por dia em agosto, mas a tendência é de redução gradual à medida que investimentos em capacidade se equilibram com pressões regulatórias e concorrência de biocombustíveis.
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