O eleitor americano médio está cada vez menos receptivo a pautas que fogem do campo econômico, como questões morais, migração e conflitos internacionais. Essa é a avaliação de Vinícius Rodrigues Vieira, professor de Relações Internacionais da FAAP, FGV e IDP, sobre as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos (midterms), previstas para 3 de novembro.
Para o especialista, o tema central da disputa deve ser o custo de vida crescente dos estadunidenses. Ele afirma que o eleitor comum hoje demonstra menor suscetibilidade a argumentos não econômicos e será quem vai arbitrar as versões apresentadas pelos candidatos sobre as condições do país.
Vieira destaca uma tendência global de trazer as disputas eleitorais para o foco do cotidiano das pessoas, em vez de abordar temas mais amplos. O conflito no Oriente Médio, por exemplo, tem impacto indireto na população — principalmente pelo preço do petróleo —, mas não mobiliza o eleitorado da mesma forma que questões econômicas imediatas.
O voto latino pode representar uma barreira para Trump e seus aliados no Texas, tanto na disputa para governador quanto nas eleições para a Câmara e o Senado. Segundo Vieira, mesmo em estados de maioria republicana consolidada nas últimas três décadas, observa-se um movimento de abertura ao voto democrata.
No caso dos latinos especificamente, a questão econômica cede espaço à atuação do ICE (agência de imigração e controle de fronteiras dos EUA), cujas ações afetaram a comunidade de maneira inesperada. "Era algo que a comunidade não esperava que iria afetá-los", afirmou Vieira, sugerindo que esse descontentamento pode influenciar diretamente o comportamento eleitoral desse grupo nas midterms.



