Entre 1985 e 2025, o Cerrado viu desaparecer 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em áreas localizadas a até 500 metros de rios e cursos d'água, cifra que equivale a 26,9% do total perdido no bioma nesse período, conforme revelado pela MapBiomas na análise da Coleção 11 de mapas anuais de cobertura e uso da.
Diagnóstico Geográfico e Metodologia da Apuração
A análise da MapBiomas, baseada na coleta sistemática de dados anuais entre 1985 e 2025 por meio da Coleção 11, evidenciou que o Cerrado — segundo maior bioma do Brasil, com 200,4 milhões de hectares — registrou perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, sendo 13,9 milhões destes ocorridos em áreas de até 500 metros das margens fluviais, o que comprometeu 26,9% do total abatido no período.
O estudo destacou ainda que o Alto Tocantins e a bacia do Araguaia concentraram as maiores perdas em termos absolutos, com redução de 2,9 milhões e 2,7 milhões de hectares respectivamente, somando cerca de 41% da totalidade da degradação observada nas áreas ribeirinhas do Cerrado.
O Cerrado perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa em até 500 metros dos rios entre 1985 e 2025, representando 26,9% do total perdido no bioma nesse período.
Repercussões Institucionais e Desdobramentos Estratégicos
A publicação dos números coincidiu com manifestações da Secretaria de Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente e da Fiscalização da União Europeia sobre a necessidade urgente de adequar políticas ambientais ao ritmo acelerado da expansão agropecuária no Cerrado, que dobrou sua área de aproximadamente 46,7 para 97,9 milhões de hectares em quatro décadas.
Especialistas apontam que o crescimento descontrolado da fronteira agrícola no Matopiba — onde Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia concentram 66% da perda de vegetação nativa entre 2015 e 2025 — exige intervenções coordenadas entre órgãos ambientais federais e estaduais para conter a degradação das zonas ciliares críticas.



