Contrato milionário e voo direcionado
A Polícia Federal apurou que o advogado e ex-coordenador da campanha presidencial de 2018, Daniel Vorcaro, foi informado por Thatiane Prime, funcionária da empresa Prime You, de que o avião com prefixo PP-NLR estava agendado para realizar um voo a Barci no dia 22 de agosto de 2025, conforme conversa registrada. Em 21 de agosto, Vorcaro solicitou a provisionamento do mesmo avião em Brasília com destino a Roraima, reiterando que o PP-NLR deveria atender Barci. A exigência foi clara: Não deixe de atender Barci, afirmou o banqueiro, evidenciando prioridade operacional.
Vínculo entre o ministro e a aeronave utilizada
Em 20 de setembro de 2025, imagens divulgadas pela coluna de Lauro Jardim no jornal O mostram Alexandre de Moraes e sua esposa Viviane Barci de Moraes desembarcando do Legacy 650, aeronave com prefixo PP-NLR. O mesmo avião citado nas conversas entre Vorcaro e a funcionária como essencial para atender Barci. O registro visual ocorre exatamente três meses após o escritório da advogada assinar contrato de R$ 50 milhões com uma empresa vinculada ao banqueiro, conforme constatação da PF. O documento prevê pagamento de honorários por meio de cotas de uso do jato PP-NLR e helicóptero, reforçando suspeitas de favorecimento.
Negativa institucional e contexto do Banco Master
O ministro Alexandre de Moraes negou categoricamente qualquer vínculo com o avião ou com a operação, afirmando em nota oficial que "jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia". A defesa da esposa também repudia as acusações, alegando que o contrato de R$ 50 milhões jamais existiu ou foi assinado. Contudo, os investigadores apontam que o acordo foi firmado apenas um mês após alerta formal do Banco Central ao MPF sobre possível gestão fraudulenta entre BRB e Banco Master, indicando interesse mútuo em manter sigilo sobre movimentações financeiras.
Implicações para o caso Master
A coincidência temporal entre o voo registrado e a assinatura do contrato milionário intensifica investigações sobre possíveis irregularidades no Caso Master. A PF analisa se houve uso indevido de recursos públicos ou favorecimento político por meio do acesso ao jato PP-NLR, mesmo após negativas oficiais. O episódio coloca em evidência o risco de conflitos de interesse quando autoridades públicas estão ligadas a negócios jurídicos com valores superiores a R$ 50 milhões, especialmente em contexto de alertas prévios sobre práticas ilícitas.



