Mensagens colhidas pela Polícia Federal no celular de Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, revelam sua ativa participação no planejamento de uma obra orçada em R$ 245 mil para a construção de uma adega em uma mansão localizada no condomínio Villa Locanda Residenze, em Petrópolis, cuja titularidade é registrada em nome do empresário Luiz Fernando Gomes.
Contexto Institucional e Evidências Apuradas
A análise de diálogos internos extraídos do aparelho apreendido na O peração Sem Refino, deflagrada pela Polícia Federal em 2023, demonstra que Castro agia com poderes de fato sobre o imóvel, referindo-se a projetos como 'minha obra' e coordenando detalhes estruturais e operacionais da construção da adega, apesar da ausência de vínculo jurídico direto com o bem.
A revelação foi publicada inicialmente pela coluna de julho e reforça um padrão de influência política exercida por figuras públicas sobre empreendimentos privados vinculados a negócios do Estado, especialmente no caso de Luiz Fernando Gomes, cujo histórico de contratos com o governo fluminense ultrapassa os R$ 1,9 milhão desde 2018.
Mais de R$ 355,2 milhões em contratos firmados com o governo fluminense entre 2018 e 2023, dos quais R$ 49,6 milhões foram realizados sem licitação.
Repercussão Jurídica e Consequências Institucionais
A Procuradoria-Geral da República e a Controladoria-Geral da União foram acionadas para apurar possível abuso de poder e conflito de interesses, considerando o uso indevido de bens imobiliários vinculados a empreiteiros com contratos públicos significativos.
Especialistas em direito administrativo apontam que a manutenção do imóvel como residência particular por autoridades públicas pode configurar prática lesiva ao erário, especialmente quando associada a benefícios desproporcionais concedidos a fornecedores favorecidos por posicionamento político.



