O rigem da emenda e desvios de finalidade
O deputado federal Mário Frias (PL-SP) destinou parte de sua emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produção do documentário Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. O repasse ao ICB ocorreu por meio de uma emenda do Ministério do Esporte no valor de R$ 1 milhão, conforme consta nos registros oficiais. Contudo, parte desse recurso foi redirecionada ao projeto "Lutando pela Vida", localizado em Pirassununga (SP), sob a responsabilidade de Rudyge Boldrini, ex-deputado e militante político com histórico de doações à campanha de Frias.
Caminho da verba: entre esporte, filmagem e igrejas
A verba liberada pelo Ministério do Esporte foi inicialmente destinada ao ICB para a continuidade do projeto Dark Horse, cujo filme só foi assinado com a produtora seis meses após o repasse inicial. Ao mesmo tempo, o valor total da emenda foi convertido em recursos em espécie: além do montante de R$ 1 milhão destinado ao projeto "Lutando pela Vida", outras somas chegaram a igrejas e pastores da região. A investigação apura se houve uso indevido da verba pública, com indícios de desvio para fins não alinhados ao esporte ou à cultura.
Investigação da Polícia Federal e questionamento sobre vínculos com o PCC
A Polícia Federal realizou busca e apreensão na residência de Rudyge Boldrini em 10 de setembro para apurar supostas irregularidades na aplicação da emenda parlamentar. A suspeita central gira em torno da possível atuação de um braço do Primeiro Comando da Capital (PCC) no esquema, conforme mencionado pelo ministro Alexandre de Moraes em decisão que autorizou a ação. O Termo de Fomento entre a ICB e o projeto "Lutando pela Vida" foi assinado em 31 de dezembro de 2024, mas só foi publicado no Diário O ficial em 14 de janeiro de 2025; a efetivação do projeto está prevista para 2026, segundo documentos obtidos.
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