Em uma operação elaborada que misturou elementos de farsa e abuso de poder estatal, o influenciador digital Ivan Luiz Bastos Guimarães, conhecido como "Itz Ivan", articulou com o delegado John Allan Cunha Castilho e os investigadores Diego Gabriel Rodrigues de Araújo e Marcelo Henrique de Araújo Sobral uma fraude policial para roubar 30 quilos de ouro e R$ 800 mil em espécie na residência localizada no bairro Caçari, zona leste de Boa Vista, Roraima, no dia 29 de março de 2024.
Contexto Institucional e Estrutura do Esquema Fraudulento
A investigação conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas O rganizadas (Draco) revelou que o grupo coordenou a ação por meio do aplicativo de mensagens "Planos de ficar rico. Com", criado pela esposa do investigador Marcelo Henrique de Araújo Sobral, Ariane Cabral Paes, dois dias antes do crime para organizar as etapas da operação e monitorar sua execução com rigor técnico. Durante a incursão na residência das vítimas, os envolvidos empregaram distintivos, fardamentos e uma viatura descaracterizada da Polícia Civil para simular uma ação policial legítima, enquanto o próprio Ivan assumiu o papel de suposta vítima para desviar a suspeita dos presentes.
O s indícios de enriquecimento ilícito foram consolidados por meio de perícia financeira que constatou o recebimento direto de ao menos R$ 200 mil por Marcelo Henrique de Araújo Sobral, com transferências adicionais de R$ 180 mil para sua esposa e promessa de R$ 150 mil ao cunhado Guilherme Santana da Silva, totalizando indícios claros de lavagem de bens antes da captura em 21 de agosto em Florianópolis.
Foram subtraídos 30 quilos de ouro e R$ 800 mil em espécie durante operação simulada com distintivos e viatura descaracterizada da Polícia Civil.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos do Caso
A defesa do delegado John Allan Cunha Castilho informou que ele nega categoricamente qualquer participação no esquema criminoso, destacando seu vínculo com a carreira pública como servidor concursado e ressaltando a presunção de inocência garantida até o trânsito em julgado do processo. Já o Ministério Público Federal do Amazonas aguarda laudo pericial complementar para confirmar o grau de envolvimento direto dos agentes públicos no plano fraudulento.
O caso já mobilizou mecanismos de cooperação entre as Polícias Civis do Amazonas e do Roraima, com solicitação formal ao STF para apreensão de bens adquiridos em Santa Catarina pelo investigado Itz Ivan, enquanto a Justiça Federal deve avaliar a tipificação penal dos crimes contra a administração pública e o tráfico ilícito de ouro sem rastreabilidade.



