Na noite de 17 de novembro de 2025, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, enviou mensagem ao ministro Alexandre de Moraes perguntando se precisava estar fora do país já na segunda-feira, 18 de novembro, após questionamentos sobre o juiz e o presidente do Banco Central; 48 horas depois, ele foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, e no dia seguinte o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição por suspeita de emissão de títulos de crédito sem lastro.
Contexto Institucional e Procedimentos da Investigação
A apuração conduzida pela Polícia Federal revelou que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, manteve contato com o ministro Alexandre de Moraes por meio de mensagens enviadas nos dias 15 e 16 de novembro de 2025, período em que o empresário demonstrou preocupação com possíveis medidas judiciais ou administrativas relacionadas ao caso do juiz e ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. As conversas foram registradas em um aplicativo com visualização única, dificultando a reconstituição completa do diálogo, embora fragmentos tenham sido recuperados durante a perícia do celular apreendido no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
As investigações da O peração Compliance Zero concentram-se na suspeita de fabricação e comercialização de carteiras de crédito sem lastro, prática que teria colocado o Banco Master em evidência por oferecer CDBs com rentabilidade próxima de 140% do CDI. A prisão de Vorcaro ocorreu no momento em que ele se preparava para embarcar em aeronave particular com destino à Malta e, posteriormente, aos Emirados Árabes Unidos, indicando plano de fuga que levantou questionamentos sobre possíveis conivências ou interferências externas no andamento das apurações.
O ex-controlador do Banco Master enviou mensagem ao ministro Alexandre de Moraes perguntando se precisava estar fora do país já na segunda-feira, 18 de novembro, após questionamentos sobre o juiz e o presidente do Banco Central
Repercussão Jurídica e Consequências da Liquidação
A prisão de Vorcaro e a posterior liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central geraram intensas discussões sobre os limites da atuação administrativa versus o direito à defesa, com o Ministério Público Federal aguardando posicionamento judicial sobre eventuais irregularidades na condução da operação. Autoridades regulatórias destacam que a decisão foi tomada com base em indícios robustos de fraude na emissão de títulos de crédito sem lastro, configurando risco sistêmico ao mercado financeiro brasileiro.
Especialistas apontam que o caso pode desencadear revisão dos critérios de supervisão bancária e inspirar medidas preventivas para evitar novas instâncias de condutas irregulares no setor privado. O STF ainda não se manifestou formalmente sobre a admissibilidade das provas obtidas por meio das mensagens com visualização única, o que pode gerar novos embates processuais nos próximos meses.



