O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, na última terça-feira (3), o primeiro teste de uso do engajamento da militância digital para governar após a virada na eleição presidencial. A mobilização teve como alvo a defesa da medida provisória que proibiu as apostas e os jogos on-line no Brasil, tema de audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF).
Logo pela manhã, Lula enviou uma mensagem de voz e um vídeo ao Exército de Lula, canal de WhatsApp que superou 10 milhões de seguidores no segundo turno da eleição, pedindo a mobilização dos apoiadores para manter a proibição das apostas on-line. Ao longo do dia, a hashtag #ComLulaNãoTemBets ficou entre os assuntos mais comentados no X, antigo Twitter.
A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator das ações que contestam a MP editada por Lula em 25 de setembro. Empresas e associações do setor pediram ao STF a derrubada da norma, alegando insegurança jurídica e prejuízos a contratos firmados antes da proibição. Clubes de futebol também se opõem à medida pelo impacto sobre os patrocínios. Sites, aplicativos e publicidade das bets saíram do ar em 6 de outubro.
O movimento leva para a gestão a mobilização pró-Lula que ganhou força na campanha. A ideia é transformar o engajamento eleitoral em apoio às decisões do presidente, com pressão sobre o Supremo e o Congresso.
Ao final do dia, o deputado federal André Janones (Rede-MG), criador do canal, classificou como “impressionante” o potencial e o “poderio de fogo” do grupo. Para ele, a resposta à mobilização contra as bets indica um cenário promissor para o próximo mandato.
A mobilização começou às 9h01, com uma mensagem de voz do próprio presidente Lula pedindo que os participantes acompanhassem a audiência pública. “Vocês sabem que eu sou contra as bets. Elas têm que fechar. Elas são um mal, mas tem gente que é favorável, sobretudo os clubes de futebol e os empresários que ganharam muito dinheiro”, afirmou Lula. “O negócio é ficar atento pra não deixar o povo ser enganado outra vez. Vamos lá, gente.”
Meia hora depois, às 9h31, Janones reforçou o chamado à mobilização. O parlamentar chegou a pedir a abertura dos comentários na transmissão da audiência no YouTube, com a hashtag #LiberaOsComentáriosSTF. Depois, porém, pediu desculpas e orientou os seguidores a interromper a campanha ao ser informado pela assessoria da Corte de que os comentários ficam fechados em todas as transmissões.
À noite, após a audiência no STF, o deputado pediu aos participantes que ampliassem o alcance de uma publicação no X. “E o que fizemos hoje em termos de mobilização foi só uma pequena amostra do que vocês enfrentarão nos próximos 4 anos!”, escreveu.



