Lideranças do Centrão articulam a aprovação de uma mudança no sistema eleitoral brasileiro ainda em novembro. A proposta prevê a adoção do voto distrital misto, em substituição ao atual modelo proporcional, e enfrenta resistências de parlamentares do PL e do PT.
Segundo dirigentes partidários ouvidos pela CNN, caciques de diferentes siglas participam das conversas para viabilizar a mudança. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende o novo modelo e tenta acelerar a tramitação da proposta. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também estaria ajudando nas articulações para dar celeridade às discussões.
Lideranças do Centrão minimizam o peso de eventuais votos contrários do PL, mas avaliam que seria importante aprovar a mudança antes do início da próxima legislatura, em fevereiro de 2027. A avaliação é que a nova composição do Congresso terá maior presença de parlamentares que se beneficiaram do atual sistema eleitoral, especialmente os conhecidos como “puxadores de votos”.
Pelo modelo distrital misto, o eleitor vota duas vezes: uma em um candidato que representa seu distrito eleitoral e outra em uma lista partidária. Na modalidade de lista fechada, a ordem dos candidatos é definida previamente pelos partidos. Com isso, as direções partidárias ganham maior influência sobre a definição de quem ocupará parte das cadeiras no Legislativo, reduzindo o peso da votação individual na composição das bancadas.
A mudança também altera a dinâmica de eleição de deputados. Atualmente, o sistema proporcional permite que candidatos com votação expressiva contribuam para eleger outros nomes da mesma legenda, mesmo que esses tenham recebido menos votos individualmente. É o mecanismo que permite aos chamados puxadores de votos ampliar a representação de seus partidos.



