O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, conforme divulgado nesta quarta-feira (4), logo após as eleições de 2026. Analistas do setor alertam que a manutenção ou elevação dos juros pode levar o agronegócio a reduzir investimentos, comprometendo a produtividade em 2027.
Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, afirma que o crédito rural caro e restrito agrava o endividamento dos produtores. Ele destaca que a combinação de fertilizantes e diesel mais caros, financiamento oneroso e preços pouco competitivos já leva agricultores a diminuir os aportes na produção, o que pode prejudicar o rendimento das lavouras e dificultar a recuperação financeira do setor.
O Rabobank projeta que o Banco Central interrompa o ciclo de cortes ainda em 2026, mantendo a Selic em 13,75% até março de 2027. A instituição prevê uma flexibilização gradual apenas depois desse período, com a taxa encerrando o próximo ano em 12%, sem previsão de juros abaixo de dois dígitos antes do final de 2028.
Para Renan Alves, analista de macroeconomia do banco holandês, os riscos inflacionários domésticos e os juros elevados nos Estados Unidos devem continuar pressionando o custo do dinheiro. O banco projeta inflação de 5,1% para 2026, acima do teto da meta do CMN, com riscos adicionais ligados ao efeito do El Niño sobre os alimentos e à possível retirada de medidas de contenção de preços dos combustíveis.



